Um passeio até o Supremo

Bolsonaro caminha com empresários até o STF para conversar com Toffoli 

O presidente Jair Bolsonaro atravessou a Praça dos Três Poderes, a pé, aglomerando seguranças, os ministros Paulo Guedes e Braga Netto, além de empresários. Ele entrou no STF para uma reunião marcada de última hora com o presidente do Supremo, Dias Toffoli. 

A intenção era criar suspense. A reunião foi transmitida ao vivo, o que não é nada comum. 

Bolsonaro foi pedir a Toffoli, publicamente, apoio para as medidas que pretende adotar para que o país volte às atividades. Disse que vai começar a assinar decretos para rever as atividades listadas como essenciais. O presidente apelou para a possibilidade de o país começar a presenciar saques. O que já vimos foram pessoas invadindo hospital e hospitais informando ter filas de espera para leitos. 

Guedes defendeu o veto ao reajuste de salário do funcionalismo. É preciso que a categoria dê sua contribuição à atual crise, quando milhões que não têm estabilidade e trabalho formal estão perdendo renda, diz ele. Nesse ponto, Guedes tem razão.

Da parte dos empresários a analogia foi com a atual crise. “A indústria brasileira está na UTI”, disse um deles a Toffoli. As medidas sobre como abrandar as restrições de circulação com segurança não foram apresentadas, mas o grupo garantiu que elas  existem. É bom lembrar que as indústrias estão funcionando. A reclamação é que com as quarentenas eles não estão vendendo. Até agora, só os países que baixaram as taxas de contaminação afrouxaram as regras. O Brasil está longe disso. 

O presidente do STF disse que entende a necessidade de a economia voltar às atividades, mas sugeriu a criação de um comitê formado pelos 3 poderes nos âmbitos federal, estadual e municipal. No fundo, passou um recado: o que é mesmo que o governo federal está fazendo para ajudar na abertura da economia?