Trump briga com o Twitter

Pela primeira vez, o Twitter colocou ao final de dois tuítes do presidente Trump um aviso de que suas afirmações não tinham provas. Ocorreu com duas mensagens do presidente afirmando que o voto pelo correio é “fraudulento”. 

Muitos republicanos não gostam dessa modalidade de voto, que tende a ser mais adotada pelos estados nessa pandemia. Há mais eleitores pobres entre os democratas, que enfrentam dificuldades de ir votar pessoalmente num dia normal de trabalho, e de manter seu cadastro eleitoral em dia, já que mudam com mais frequência de casa.

O aviso do Twitter leva a uma reportagem da CNN que afirma que as denúncias de Trump contra o voto pelo correio “não têm substância”.

Há anos o Twitter vinha sendo criticado pela forma como é usado pelo presidente americano como seu principal meio de comunicação, muitas vezes espalhando agressões e acusações infundadas. 

A empresa finalmente perdeu a paciência com seu mais poderoso usuário depois que Trump tuitou teorias conspiratórias acusando Joe Scarborough, um apresentador do canal MSNBC crítico ao presidente, de envolvimento na morte de sua ex-assessora Lori Klausutis em 2001. 

O viúvo de Lori, Timothy Klausutis, escreveu uma carta ao CEO do Twitter, Jack Dorsey, pedindo que apagasse essas “mentiras horríveis”. Lori morreu de um problema cardíaco.

Como em tantos outros casos, o Twitter respondeu que não poderia apagar as mensagens porque elas não violam seus termos e condições. Mas decidiu agir em relação ao voto pelo correio, lançando mão de seu protocolo para fake news.

Previsivelmente, Trump reagiu de modo furioso: “O Twitter está sufocando completamente a LIVRE EXPRESSÃO, e eu, como presidente, não permitirei que isso aconteça”.

Será interessante observar agora se Trump e outros usuários que se têm aproveitado da chamada “neutralidade da rede” insistirão em brigar com as novas regras, ou se migrarão para outras plataformas mais “livres”.