Por que paramos nos R$ 600

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado de Paulo Guedes e outros auxiliares, fez um apelo nessa quinta-feira, em teleconferência com 500 empresários, para que eles pressionem os governadores, em especial João Doria, a reabrir a economia.

Depois o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, deu uma entrevista à CNN Brasil, esmiuçando os argumentos que fundamentam esse movimento contrário ao lockdown. Vamos lá.

1 – “O resto do mundo está abrindo.”

A Ásia está três meses na frente do Brasil, a Europa dois meses e os Estados Unidos, um mês. Ásia e Europa começaram a reabrir depois de adotar lockdowns rigorosos e de suas curvas de novos casos caírem durante 3 semanas ou mais. O Brasil não adotou um lockdown rigoroso. A taxa de adesão em São Paulo oscilou ao redor de 50%. Nossa curva ainda está subindo. Estados Unidos são um exemplo a não ser seguido nessa questão. Eles têm 4% da população mundial, 32% dos casos e 28% das mortes.

2 – As atividades essenciais continuaram funcionando, com precauções, e os trabalhadores não adoeceram. Então, por que não reabrir todo o resto?

Milhares de trabalhadores adoeceram e milhares morreram. Se todos os setores tivessem continuado funcionando, a tragédia seria muito maior. O sentido de só reabrir as atividades não-essenciais 3 semanas depois de a curva estar caindo é garantir espaço na rede de saúde para atender os que adoecem ao voltar às atividades.

3 – Deixe que as cidades que não têm casos reabram.

Não estamos na Idade Média, quando as cidades eram muradas. As cidades se interconectam entre si. As que não têm casos passarão a ter se reabrirem.

No fundo, a resistência no Brasil contra as medidas de precaução tem a ver com a dificuldade dos brasileiros de aceitar que precisam ajudar aqueles que não têm reservas financeiras para atravessar essa crise e não podem trabalhar de casa. 

Como sociedade, nossa generosidade alcançou o seu limite: R$ 600.