Os erros dos prefeitos na pandemia

Um estudo de pesquisadores da Universidade de São Paulo, de Oxford e do Imperial College, revela que as prefeituras erraram do começo ao fim no combate à pandemia do novo coronavírus. Os principais erros foram iniciar precocemente as medidas de isolamento, o que até não seria problemático por ser um ato preventivo, mas sobretudo por liberar de forma descoordenada a quarentena.

A partir de dados da Confederação Nacional dos Municípios, com 4.061 cidades, os pesquisadores descobriram que sete em cada dez prefeitos adotaram medidas restritivas de circulação antes mesmo de haver um caso de covid-19 registrado. O ideal seria isolar só após a primeira confirmação. O problema, contudo, aconteceu na liberação da quarentena feita de forma apressada. Pressionados pela opinião pública, os gestores já relaxavam as medidas em março.

Em 61,9% dos municípios houve flexibilização do isolamento social, enquanto somente em 36,2% os prefeitos optaram por não relaxar a quarentena. De acordo com os pesquisadores, isso fez com que cidades ficassem desprotegidas já que prefeituras vizinhas tinham optado pelo relaxamento das medidas. O estudo indicou ainda que em 94,2% das cidades foi adotado o uso obrigatório de máscaras.