O segredo da Nova Zelândia 

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou ontem a cura do último paciente diagnosticado com a covid-19 e declarou o país livre do vírus. Desde o início da pandemia foram 1.154 casos confirmados e 22 mortes. São números muito bons, mesmo para um país com cerca de 5 milhões de habitantes. Como comparação, a Noruega, com população de 5,3 milhões, acumula 8.563 casos e 239 mortes. 

A estratégia da Nova Zelândia não foi inovadora. Fez o feijão com arroz. Fechou o país para estrangeiros e manteve o isolamento social por 2,5 meses com 7 semanas de dura quarentena. Testaram todos os casos suspeitos. Proporcionalmente, a Nova Zelândia testou o dobro de pessoas que a Coreia do Sul.  E foram rápidos e firmes. Foi provavelmente o lockdown mais restritivo aplicado no mundo, só comparável ao período mais grave em Wuhan. E as medidas contaram com adesão maciça da população. 

É claro que o fato de ser uma ilha ajudou. É muito mais fácil para um país sem a porosidade das fronteiras terrestres evitar a entrada de estrangeiros. Também ajudou o fato de que a população não vive em grandes cidades, adensadas, mas espalhadas pelo território. Apenas 1,6 milhão mora em Auckland, a maior cidade do país.

Mas há um fator decisivo. Diferente do que aconteceu em vários países do mundo, a primeira-ministra não negou a gravidade da pandemia em nenhum momento. Agiu rápido e ajustou as medidas com base nos números da doença. Jacinda Ardern liderou o país com firmeza e empatia durante todo o período. Suas aparições na TV eram frequentes, com explicações das medidas, atualizações dos dados e total transparência. Tratou a população como parceira da solução. Hoje, o governo de Ardern conta com 88% de aprovação e o mérito de ter sido o primeiro país do mundo a eliminar o coronavírus.