O que deu errado

Uma rápida retrospectiva do que devemos lamentar em 2019 gira em torno da educação, Amazônia, briga com a imprensa e a lacração nas redes sociais.

Ser Realista é uma atividade chata. Apesar do otimismo em vários aspectos da vida nacional, não há como ignorar que o atual governo bate cabeça em uma série de áreas importantes para o país. Listamos os setores com as três piores perspectivas:

 

  1. O ano passou sem nada relevante na área da educação. Perdemos tempo com polêmicas e decisões esdrúxulas como filmar alunos cantando o hino ou acusações sem provas de que universidades mantêm plantações de maconha. A oferta de escolas cívico-militares pode trazer melhoras pontuais para quem gosta de disciplina, mas não é política abrangente e não resolve os problemas estruturais. O programa Future-se para as universidades não foi bem recebido pelos reitores, que não aderiram à iniciativa. Já foi reformado mas não deve trazer os impactos prometidos. 
  2. As políticas para o meio ambiente foram pelo mesmo caminho. Compramos brigas desnecessárias com a opinião pública mundial e, o pior, resolvemos brigar com as estatísticas. Não soubemos dar destaque à situação superior que o Brasil já tem em relação à preservação ambiental. A cultura da multa, o excesso regulatório e a burocracia estatal devem ser combatidos, mas com políticas consistentes de preservação e alinhadas com os interesses nacionais. Nosso único feito na área foi unir ecologistas e o agronegócio contra as ações do governo. 
  3. O gosto pela polêmica, a briga com a imprensa e a lacração nas redes sociais não têm ajudado o governo. Talvez o presidente e alguns de seus ministros acreditem que só mantendo acesa a chama da polarização conseguirão conduzir a agenda do governo. Não temos como provar que estão errados. A política é de quem a pratica. Mas é inegável que as polêmicas e a agressividade de muitas declarações deixam a sociedade tensa, os investidores inseguros e muita gente interessada no Brasil apreensiva. E isso não é bom para o país.