O dilema de Trump

3 milhões de americanos buscaram o seguro desemprego na última semana

A quantidade de pedidos de seguro desemprego nos EUA sempre foi um termômetro da economia americana. Se cresce muito, é porque as pessoas estão sendo demitidas, se diminui, é porque estão sendo contratadas. Funciona.

Saiu agora o número de pedidos da última semana: 3 milhões de americanos buscaram o seguro. Antes, eram 220 mil. O maior número de pedidos já realizados em uma semana foi de 695 mil, em 1982. Isso dá uma dimensão da crise que se avizinha nos EUA.

De um lado Trump tem uma doença sem vacina ou tratamento conhecido, que se espalha rapidamente e mata. De outro, a quarentena, que para grandes setores da economia e que deve provocar a maior crise econômica desde a grande depressão iniciada em 1929. 

Manter a quarentena, preservando vidas, e jogar o país numa recessão e desemprego recorde é uma opção. A outra é relaxar a quarentena, diminuir o impacto na economia, mas com isso aumentar exponencialmente o número de infectados e de mortos (também é um custo para a economia). Entre as duas opções, ainda há mais duas incertezas. Os economistas serão capazes de elaborar soluções que evitem a derrocada econômica? E médicos e cientistas conseguirão reduzir a mortalidade da Covid-19? Quando e em quanto?

Ninguém tem respostas para essas perguntas ainda. Não há escolha fácil. O dilema de Trump é o dilema do mundo todo.