Mansueto fará falta

É a visão do secretário do Tesouro sobre as contas públicas que orienta o andamento do resto do governo

Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, deixa o governo em agosto. Não brigou, não foi demitido. Pediu pra sair porque dá por concluída sua participação no governo. É o que ele mesmo e o governo dizem e não há razões para duvidarmos. Vai para a iniciativa privada onde seu passe será disputado a peso de ouro. No cargo desde o governo Michel Temer, foi um dos fiadores do rigor contábil e da responsabilidade fiscal depois das pedaladas que tiraram a presidente Dilma do cargo. Sua credibilidade era grande o suficiente para que Paulo Guedes conseguisse convencer Bolsonaro a mantê-lo. E ainda é.

Substituir o secretário do Tesouro é tarefa delicada. A contabilidade do governo é complexa e exige conhecimento técnico específico. O corpo da secretaria é muito bom e o próximo ocupante do cargo será bem assessorado, mas é o secretário do Tesouro quem tem a palavra final. Mais do que isso, é sua visão sobre as contas públicas, do que pode ou não ser feito, que orienta o andamento do resto do governo. No cenário pós-pandemia, com as contas esgarçadas ao extremo pelo justificado auxílio emergencial dado às famílias que perderam sua renda, pela redução de arrecadação e a ajuda aos estados e municípios, não será pequeno o desafio que o Tesouro terá pela frente.

Há outro problema. Mansueto é complementar a Paulo Guedes. O ministro fala muito, algumas vezes sem pensar e com consequências desastrosas, pressiona e exagera nos números para fazer valer suas teses. É o jeito dele. Mansueto é reservado e de falas precisas e comedidas. O Congresso e a imprensa encontraram no secretário uma interlocução confiável que não conseguiram com o ministro. Foram os números e a credibilidade de Mansueto que deram sustentação à pauta reformista e, não se enganem, a todo o desembolso emergencial de combate à pandemia. 

Paulo Guedes tem uma agenda importante de reformas. Perderá em agosto um de seus principais aliados para implementá-las. Mansueto fará falta.