Governador do Rio enfrenta impeachment

Diversas operações contra desvios na área da saúde durante o enfrentamento da pandemia foram deflagradas

Com 69 votos a favor e 1 deputado ausente (por assim dizer, pois os votos foram por videoconferência), a Assembleia Legislativa do Rio abriu o processo de impeachment do governador Wilson Witzel.

Witzel é acusado pelos crimes de responsabilidade no superfaturamento para a compra de respiradores no combate ao novo coronavírus e na licitação da construção dos hospitais de campanha no Rio, pela reprovação das contas do ano passado no TCE, por um suposto vínculo com o empresário Mário Peixoto e ter influenciado na revogação da desqualificação da OS Unir Saúde, ligada ao empresário. Não é pouco.

O governador afirmou ser vítima de perseguição política e terá o direito a 10 sessões na Alerj para se defender. O prazo passa a valer oficialmente após a publicação do processo no Diário Oficial do Estado, o que deve ocorrer até amanhã (12).

Em 26 de maio, Witzel foi alvo da Operação Placebo, da Polícia Federal, que cumpriu mandado de busca e apreensão no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e outro em sua casa no Grajaú. No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que haveria novas operações da PF nos estados. “Vai ter mais, enquanto eu for presidente, vai ter mais. No Brasil todo. Isso não é informação privilegiada não, vão falar que é informação privilegiada”, disse. Depois de se eleger apoiando Bolsonaro, Witzel se tornou crítico do presidente, que então passou a tratá-lo como inimigo.

Diversas operações contra desvios na área da saúde para enfrentamento da pandemia foram deflagradas nos últimos dois meses pela PF nos estados. Também na quarta-feira, o governador do Pará, Helder Barbalho, foi alvo de buscas.

Em meio a uma pandemia que já matou 39.797 no Brasil, é inacreditável que alguém se aproveite para assaltar o estado e deixar doentes desassistidos. Caso seja provada a participação de governantes eleitos, teremos visto um ato de perversidade perpetrado por um político raro até para os padrões brasileiros.