Future-se: é preciso chacoalhar as universidades públicas

O MEC (Ministério da Educação) tenta hoje em uma reunião conquistar o apoio dos reitores das universidades federais para o programa Future-se. O objetivo é diminuir os gastos com salários e aposentadoria e oferecer incentivos às universidades em troca de melhor desempenho dos professores.

É uma batalha dura. As universidades públicas estão acostumadas a fazer o que bem entendem com as verbas que recebem – e que vêm dos nossos impostos. Claro que o dinheiro vai todo para os salários de professores e servidores que, salvo honrosas exceções, trabalham pouco e ganham muito.

O Future-se prevê o pagamento de bônus, vinculados ao desempenho, que não podem ser incorporados aos salários. Também estimula a contratação pela CLT, o regime de trabalho da iniciativa privada. E autoriza a contratação de professores estrangeiros, para arejar e internacionalizar as universidades – o que já é feito em todos os países desenvolvidos.

Tudo isso tira os atuais professores da sua zona de conforto, dentro da qual eles fazem um trabalho em geral socialmente irrelevante, com pesquisas que só interessam a eles mesmos. 

O Future-se pode precisar de aperfeiçoamentos. Mas alguma coisa precisa ser feita para chacoalhar as universidades públicas. Elas deixaram de ser centros de excelência: quem pode, vai estudar em universidades particulares de ponta no Brasil, ou no exterior. E agora são apenas um gasto gigantesco.