Fake news é um bom negócio

Ontem (2), como alertamos aqui, seria votado o projeto de lei de combate às fake news pelo Senado com inusual pressa, menos de 2 semanas depois de ter sido apresentado. Mas não foi. O autor do projeto retirou da pauta. A pressão da sociedade funcionou. Perceberam que o projeto tinha artigos que ameaçavam a liberdade de expressão ou eram inócuos, ignoravam a natureza libertária da rede. Está no DNA da internet a troca livre, descentralizada, sem controle central e com certo anonimato. Quem tentar mudar isso fracassará. 

Mas há uma solução para as fake news e ela passa pelas empresas que controlam as redes sociais. São elas que detêm a tecnologia e os meios para identificar o que deve ou não ser tratado como fake news, quem as dissemina e a quem são dirigidas. Parece complicado e invasivo, mas não é. E nem impede a liberdade de expressão.

O spam, aquelas mensagens indesejadas que eram uma praga há alguns anos em nossos emails, passou à quase irrelevância. Existem leis anti-spam, mas quem resolveu o problema foi a indústria de tecnologia, criando os filtros, algoritmos para identificar e isolar as mensagens indesejadas e seus emissários. O Google alega que seu serviço de email, o Gmail, bloqueia 100 milhões de mensagens por dia e consegue filtrar 99,9% das mensagens de spam. 

Algo parecido poderia ser feito com as fake news. O problema é que há uma diferença grande entre as fake news e o spam para as empresas. Spam dá prejuízo. Gera tráfego desnecessário, custos com armazenagem das mensagens e uma má experiência para o usuário. Ninguém gosta de spam. Já as fake news geram cliques, compartilhamentos, movimentam a rede, dão dinheiro e, é difícil dizer isso, as pessoas gostam. Se não gostassem não compartilhariam. As fake news são um bom negócio para a indústria. 

É difícil imaginar que as redes sociais teriam dificuldade em detectar que mil celulares enviaram a mesma mensagem, que mil perfis compartilharam o mesmo post em centésimos de segundo e do mesmo local. Não o fazem porque não querem. Um filtro para as fake news acabaria com o problema? Provavelmente não. Mas tem o potencial de reduzi-las a ponto de não incomodar, como o spam.  

Há outra solução. A que a China, Coréia do Norte e Cuba utilizam. Mas talvez não seja o caso.