Entre a gorjeta e a saúde

Bares e restaurantes voltaram a pedir para o prefeito Bruno Covas e o governador João Doria permissão para reabrir os estabelecimentos antes do prazo determinado, ainda na fase laranja. Pelo plano de retomada, a abertura estaria liberada apenas na fase amarela.

O Sinthoresp (sindicato que reúne trabalhadores de estabelecimentos de alimentação e hospedagem) voltou a pedir a abertura ao prefeito de São Paulo argumentando que, sem poder trabalhar, o salário dos colaboradores pode se reduzir a 30% do valor recebido por falta da gorjeta. 

Eles defendem que é possível cumprir todos os requisitos necessários para evitar a contaminação, como já vêm fazendo bares e restaurantes em outras cidades brasileiras. As mesas ficariam com a distância recomendada e a quantidade de clientes seria controlada. Afirmam que haveria um horário de funcionamento reduzido. Até os temperos e condimentos poderiam ser entregues em sachês ou em quantidades individuais.

O comércio e shopping centers já estão liberados e voltaram a trabalhar na semana passada. Os funcionários dizem que estão muito satisfeitos com a retomada e afirmam estar seguindo todos os protocolos para evitar a contaminação do novo coronavírus. Mas na reabertura houve filas e aglomerações nas portas das lojas.

Todos parecem estar querendo voltar aos dias normais, como se o vírus já tivesse ido embora. Mas os números de vítimas e contaminados não param de aumentar. O Brasil tem 867.882 casos de covid-19 e 43.389 mortes, apontou o boletim de domingo do consórcio de veículos de imprensa.

Os epidemiologistas recomendam que a reabertura da economia só ocorra nos lugares com pelo menos duas semanas de curva declinante no número de casos. Antes disso, os governos devem ajudar as pessoas que não têm reservas nem receitas. 

Ninguém deveria ter que escolher entre a gorjeta e a saúde.