Enigma profissional

A formação tradicional, como é valorizada hoje, terá importância secundária.

Nunca foi tão incerto optar por uma carreira ou escolher novos rumos profissionais. 

Um estudo do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP (ECar) mostra que saúde, transformação digital, segurança, inovação, educação, entretenimento, infraestrutura, socioambiental, energia e ética estão entre os temas que podem nortear as escolhas de quem está em idade de se decidir profissionalmente ou de buscar novos caminhos para a carreira.

A pesquisa mostra apenas quais áreas deverão ter maior demanda na próxima década, mas do profissional serão exigidos disposição para fazer rápidas transições entre áreas, conhecimento de diferentes disciplinas e grande capacidade de se conectar com pessoas.

Em entrevista à Rádio USP, a coordenadora do ECar e professora  da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), Tania Casado, diz que a formação tradicional, como é valorizada hoje, terá importância secundária. As habilidades pessoais terão relevância maior.

O mapeamento das carreiras do futuro terá uma segunda parte, em que o foco será sobre as competências individuais. 

Na tentativa de se adequar às novas demandas o colégio Fecap, por exemplo, criou o curso de ensino médio técnico em Inteligência Artificial. É o primeiro do Brasil e o aluno pode frequentar o curso ao mesmo tempo em que cumpre o ensino médio regular.

Já que a tendência é valorizar aptidões e experiências pessoais, ficam duas perguntas: o autoconhecimento e a capacidade de se expor como indivíduo darão lugar ao comportamento muito mais focado em resultados, visto atualmente?

Os setores público e privado, tanto empresas quanto universidades, estão se preparando para receber futuros profissionais mais interessados em satisfação pessoal e com maior poder de decisão?