Eleitor americano gosta de adrenalina

Democratas têm ganhado a presidência com candidatos jovens e desconhecidos.

Eleições americanas têm sido uma surpresa atrás da outra. Joe Biden pensou que poderia usar a credencial de candidato de Barack Obama, do qual foi vice-presidente por 8 anos, para pavimentar seu caminho nas primárias e tornar-se o candidato do Partido Democrata.

E não é que um ex-prefeito de uma cidadezinha de Indiana, Pete Buttigieg (sobrenome de origem maltesa, pronuncia-se “Buridjiédj), está roubando esse lugar, como um candidato jovem, desconhecido, articulado e carismático, que representa a renovação, como Obama em 2008?

Muitos democratas lembram que, quando apostaram em alguém jovem e desconhecido, como Jimmy Carter, Bill Clinton e Barack Obama, ganharam a presidência; quando escolheram um candidato experiente e conhecido, como Walter Mondale, John Kerry, Al Gore e Hillary Clinton, cederam o cargo a um republicano.

As imprevisibilidades não param aí. Bernie Sanders, 40 anos mais velho que Buttigieg, tem a preferência do eleitorado mais jovem; Buttigieg, a dos democratas com mais de 50 anos.

Não há candidatos negros nem latinos na disputa, mas Sanders, assumidamente socialista, é o preferido desses grupos. Buttigieg, assumidamente homossexual, é o candidato da maioria branca, com suas posições moderadas.

Biden, também moderado, ainda lidera as pesquisas nacionais, e tenta salvar sua candidatura hoje, na primária de New Hampshire, depois de ter ficado em quarto lugar em Iowa. 

As primárias estão só começando. Aconteça o que acontecer, Buttigieg, aos 38 anos, já conquistou seu lugar no cenário nacional.