A reforma da polícia americana

A bancada democrata no Congresso prepara um conjunto de projetos de lei para fazer frente à violência policial nos Estados Unidos. As medidas incluem:

1 – Proibir golpe de estrangulamento. Ele já é proibido em muitos municípios, incluindo Minneapolis, onde levou à morte de George Floyd. Mas os policiais aprendem noutros lugares que não a Academia de Polícia. A Federação dos Policiais de Minneapolis passou a oferecer treinamento para táticas violentas depois que o prefeito democrata Jacob Frey as proibiu. O líder da federação, Bob Kroll, tem várias acusações de racismo e violência. Ele apoiou Donald Trump em 2016 e criticou a reforma da polícia proposta pelo então presidente Barack Obama.

2 – Criar um registro nacional de má conduta. Chefes de polícia contrários aos abusos se queixam de que demitem policiais que cometem excessos e os veem serem contratados em outros condados.

3 – Incentivos para os estados criar treinamentos obrigatórios contra discriminação racial.

4 – Restrições a transferências de equipamentos de uso das Forças Armadas. O Pentágono tem um programa de doação de armas para as polícias. A Ronda Escolar de Los Angeles devolveu em 2014 3 lança-granadas, mas ficou com 61 fuzis e um veículo blindado à prova de minas. Sim, a ronda escolar.

5 – Tornar obrigatório o uso de câmeras acopladas ao corpo dos policiais federais uniformizados. Há 65 polícias federais nos EUA.

 

Além disso, 9 dos 13 vereadores de Minneapolis defendem desmantelar a polícia local. O prefeito é contra, mas o número é suficiente para derrubar um eventual veto. Onde isso foi feito, como Camden, cidade de 74 mil habitantes em Nova Jersey, foi criada uma nova força, com ênfase nas ligações com a comunidade.  

Camden chegou ao 5.º lugar no ranking nacional de homicídios por 100 mil habitantes em 2012, com 67 mortes. Foi então que decidiram demitir todos os 175 policiais. A maioria foi recontratada com salários e benefícios menores. A nova força tem 400 policiais, integrados à comunidade. A cidade foi pacificada. Durante os protestos desencadeados pela morte de Floyd, o chefe de polícia de Camden marchou com os manifestantes.

Outras cidades, como Nova York, falam em deslocar parte das verbas da polícia para outras ações. A medida se chama “refunding”, e é um dos slogans dos manifestantes. O sentido disso é usar o dinheiro para criar serviços por exemplo para atender pessoas com problemas com drogas e mentais. Hoje em dia os americanos discam 911 para qualquer situação, na falta de um Samu, como o do Brasil. Muitas vezes a polícia não está preparada para lidar com esses casos, e a coisa acaba em violência.

O presidente Trump se apressou a dizer que não haverá desmantelamento nem redução de verbas. O candidato democrata, Joe Biden, também se colocou contra. Mas a decisão cabe aos municípios, onde se espalham as polícias. Os EUA têm cerca de 19.500 municípios e mais de 18 mil polícias, com um efetivo total de 800 mil policiais. Não é para amadores.