A chamada oral de Maia

Começa a discussão do Fundeb e Rodrigo Maia diz: “Ou esse debate vai para o mundo real, ou a gente trava tudo e vamos ver o que acontece no ano que vem”.

O Congresso Nacional se prepara para começar a discutir a renovação do Fundeb (Fundo de Financiamento da Educação Básica). Esse fundo banca mais de 40% de todo o investimento feito em educação no país. 

Cada Estado coloca um pouco de dinheiro e o governo federal aporta mais uns 10%. Depois, o montante é redistribuído por todo o país. Isso diminui as desigualdades e, no fim das contas, garante que nenhuma criança fique sem vaga na escola.

Até aí, tudo certo. Só que o Fundeb precisa ser renovado por lei de tempos em tempos. E o tempo chegou. O funcionamento do fundo vale só até o ano que vem. O Congresso precisa renová-lo. 

E foi aí que começaram os problemas. A bancada dos professores entrou na discussão com uma proposta absurda: aumentar a fatia do governo federal de 10% para 40%.

Ora, com o orçamento apertado como está, só pode ser brincadeira de mau gosto. Coisa de quem não tem responsabilidade e quer inviabilizar o debate.

E foi exatamente isso o que disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia: “Ou esse debate vai para o mundo real, ou a gente trava tudo e vamos ver o que acontece no ano que vem”.

No mundo real, como se sabe, dinheiro não nasce em árvore. E não adianta fazer uma lei obrigando o governo a arcar com um gasto novo se não há previsão de receita para isso.

Maia foi além e disparou contra o lobby dos professores no Congresso: “A notícia ruim é que o único setor que ainda está olhando para o passado e tem voto na Câmara dos Deputados é a corporação professor”.

Os professores precisam gastar mais tempo ensinando do que se organizando para defender seus interesses.