2.ª instância só para prender, não para cobrar dívidas?

Execução da pena depois da condenação em 2.ª instância significa que os governos não poderão mais empurrar com a barriga 10, 20 anos para pagar precatórios

No meio do caminho, havia uma pedra: a execução da pena depois da condenação em segunda instância significa que os governos não poderão mais empurrar com a barriga 10, 20 anos, para pagar os precatórios, as dívidas do setor público reconhecidas pela Justiça.

Diante disso, há um movimento na Câmara, alinhada ao lobby dos governadores, para limitar a PEC (proposta de emenda constitucional) ao direito criminal, excluindo os processos administrativos, tributários e empresariais. 

A conta é a seguinte: os pagamentos de impostos devidos pelas empresas seriam antecipados, mas eles são menores do que as dívidas do setor público para com as pessoas jurídicas e físicas. 

Revelador, não é? Mais uma prova de que o poder público suga riquezas. Os recursos do setor público, até o Supremo, contra as condenações para pagar precatórios, são o principal motivo do acúmulo de processos na Justiça.

O problema é que isso abre mais uma brecha para a PEC ser derrubada no Supremo. Como explicar que o princípio vale para prender as pessoas, não para cobrar dívidas?